sexta-feira, 29 de abril de 2011

O prazer em experimentar!

Essa semana na aula de TAC - Tecnologias Avançadas da Comunicação - debatemos sobre um assunto bem interessante, as estratégias de divulgação que as empresas estão adotando com o passar dos anos. Estamos portanto, no início de uma nova fase.

Baseado nisso, lembrei de uma reportagem que li semana passada na revista Época (em anexo) com o mesmo tema. Nela encontramos informações sobre algumas empresas que estão adotando essa nova onda de marketing no Brasil, que é pôr o cliente para testar os produtos - de cadeiras de avião a camisinhas.

Essa nova onda que está chegando aqui no Brasil, é comum em outros países, como por exemplo, na Inglaterra, Japão e Estados Unidos. Aqui, essa tendência começou no fim do ano passado, com a Embraer fazendo uma parceria com estudantes de algumas universidades.

Abaixo a reportagem, do dia 22/04/11 – 09:11 por Rodrigo Turrer

O estudante Roger Lima, de 28 anos, ganhou a tarefa dos sonhos de muita gente: testar todo tipo de camisinha e gel lubrificante. Ele foi um dos 100 ganhadores do primeiro concurso para ser um testador da marca

de preservativos Prudence, no ano passado. Sua única obrigação era receber e usar, todo mês, kits gratuitos com 50 produtos. “Meus amigos me perguntam qual é a melhor camisinha e quando usar, e eu sei indicar a melhor para cada momento”, diz Roger, em tom de autopropaganda.

Por um ano, Roger avaliou os produtos. “Eu me surpreendi com a variedade de camisinhas e de outros produtos, nunca pensei que houvesse tantos.” O teste acabou se tornando um argumento para sair com mulheres. “A ideia me assustou, fiquei com medo de que elas me achassem um tarado ou pervertido.” Diz ele que ocorreu o contrário. “Elas adoravam, achavam sexy. Teve uma que tentou monopolizar, mas não deixei”, afirma, rindo.

Transformar o consumidor em profundo conhecedor do produto para colher a opinião dele logo depois é uma jogada de marketing comum em outros países. Na Inglaterra, uma cervejaria faz testes semestrais com um seleto grupo de beberrões que atestam – de preferência ainda sóbrios – a qualidade do produto. No Japão e nos Estados Unidos existem “clubes” de experimentadores: os interessados se cadastram, pagam uma anuidade e retiram produtos fornecidos por diversas marcas, de ração para cachorro a TVs de LED. A contrapartida? Preencher formulários com opiniões

e informações depois de experimentar.

No Brasil, essa tendência é novidade. No fim do ano passado, a Embraer fez uma parceria com e

studantes da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de São Carlos e da Federal de Santa Catarina. Os alunos haviam criado um simulador das condições reais de voo (capaz de reproduzir condições de pressão, temperatura, ruído e vibração). A Embraer cadastrou pessoas acostumadas a viajar de avião para avaliar, no simulador, o que pode ser feito pelo conforto do passageiro. Os testes já começaram.

A Embraer cadastrou pessoas para avaliar, no simulador,
o que pode fazer pelo conforto do passageiro

No ano passado, uma loja só com produtos para teste estreou em São Paulo: o Clube Amostra Grátis. O cliente paga uma taxa anual de R$ 50 e tem direito a retirar cinco produtos por mês na loja, na Vila Madalena. Também pode experimentar inúmeros eletrodomésticos. A empresa já tem mais de 10 mil associados e pretende abrir uma filial no Recife, em julho. A Sample Central, nos Jardins, também segue o conceito de “lojas grátis”: cobra uma anuidade de R$ 15 e permite testes com hora marcada na loja.

As duas formas de incluir o consumidor nos testes de produtos fazem parte de uma jogada de marketing que incentiva a propaganda boca a boca. O jargão chama isso de “tryvertising” – mistura das palavras inglesas “try”, de teste, e “advertising”, de propaganda. “A ideia é estabelecer um contato do cliente com o produto pela experiência direta, que aumenta as chances de ele ser fiel à marca”, afirma David Aaker, professor de marketing da Haas Business School, em Berkeley, na Califórnia. “É uma forma infalível de valorizar a marca porque estufa o ego do consumidor, aproxima o cliente da marca e dá mais chances de a empresa acertar em iniciativas futuras.” A experiência convenceu Roger. “Testar fisicamente todos os produtos de uma marca me fez sentir especial”, diz.

Na minha mera opinião, achei bem legal esse novo método de marketing que está chegando com tudo no Brasil. Ela incentiva a propaganda boca a boca, e com certeza, nada melhor que o próprio consumidor fazer a propaganda do produto que ele mesmo irá consumir. E como diz o garoto propaganda da reportagem, 'testar fisicamente todos os produtos de uma marca me fez sentir especial'.

E quem não gostaria de ser o garoto ou garota propaganda do seu produto favorito?


Aquele Abraço!

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*Foto: O estudante Roger Lima, “garoto propaganda”.

*Reportagem: Revista Época

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